Existe algo profundamente simbólico no outono. Enquanto muitas árvores deixam cair suas folhas, preparando-se para um novo ciclo, a natureza nos lembra que recomeçar também exige desprendimento. E talvez seja por isso que casar nesta época do ano carregue um significado tão especial.
Ao longo das cerimônias que celebro, percebo que o casamento não é apenas sobre o início de uma vida a dois. É também sobre tudo aquilo que cada um escolhe deixar para trás. Histórias antigas, medos, inseguranças, versões de si mesmos que já não cabem mais. Assim como o outono, o amor convida à transformação.
Diferente da ideia de que o casamento é um “final feliz”, quem está no altar sabe, ainda que intuitivamente, que ele é um ponto de partida. Um novo ciclo que começa não com certezas absolutas, mas com disposição: para construir, para aprender, para ceder, para crescer juntos.
Foi a decisão tomada por Amanda Barana Conceição e Lucas Della Coletta Azevedo. O casal de Limeira casou-se em Campinas no último fim de semana. Algo me marcou no posicionamento de ambos. Eles me disseram dispostos a enfrentar o mundo juntos, mas ao mesmo tempo celebrando a liberdade que sempre ofereceram um ao outro.
Na analogia com o outono, esse também é um ensinamento: a beleza dos processos. As folhas não caem de forma apressada ou caótica, existe um tempo certo, um ritmo natural. Nos relacionamentos, é assim também. Nem tudo floresce o tempo todo. Há fases mais introspectivas, momentos de revisão, pausas necessárias. E tudo isso faz parte.
Casar nesta estação é, de certa forma, assumir um compromisso consciente. É entender que amar alguém não é apenas celebrar os dias ensolarados, mas também acolher os períodos de recolhimento. É saber que, para que algo novo floresça, outras coisas precisam ser gentilmente deixadas ir.
E talvez seja essa a maior beleza do amor: ele não se sustenta na perfeição, mas na coragem de recomeçar quantas vezes forem necessárias. No fim, o “sim” dito no altar carrega muito mais do que uma promessa de felicidade. Ele carrega a aceitação dos ciclos, a maturidade das escolhas e a esperança silenciosa de que, mesmo quando as folhas caírem, haverá sempre a possibilidade de florescer novamente.
João Paulo Baxega, é jornalista e celebrante de casamentos
