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Casamentos e arrependimentos

“Se eu soubesse da sua existência teria feito um casamento diferente!”. Escutei essa frase de uma desconhecida com quem compartilhei a sala de espera de um consultório médico na semana passada. Ela me ouviu conversando com uma noiva ao telefone e, quando desliguei, contou que havia se casado recentemente. Quis então saber sobre o meu trabalho e relatei as atribuições de um celebrante. Não sei quem se assustou mais! Ela ao dizer que nunca tinha ouvido falar de celebrantes ou eu com o espanto dela. Foi quando a desconhecida disse a frase que abre a coluna de hoje.

Fiquei reflexivo depois do contato com ela. Principalmente pelo fato de os celebrantes estarem no mercado há mais de uma década. Como ela nunca ouviu falar? Nem o noivo? Depois, fiquei triste com o relato que se seguiu. Ela estava a bem desgostosa com o casamento que teve. O resumo é que os noivos se submeteram a regras e procedimentos que não faziam sentido para as crenças e cultura de ambos. Lamento profundamente essa vivência tão ruim em um dia que deveria se eternizar positivamente.

A atitude deles é um contraponto com a postura da maioria dos casais que me procura. Enquanto escrevia essa coluna, inclusive, teci elogios ao casal que você vê na foto que ilustra esse texto. Emanuelle e Matheus foram impecáveis nos meses que antecederam a cerimônia. Sempre interessados, dedicados, tirando dúvidas, prontos para sanar as minhas, uma entrega absoluta. Essa dedicação do casal, é metade do caminho para uma cerimônia bonita. Vivemos um grande momento juntos em um lindo entardecer de junho em Piracicaba.

Essa conduta certamente foi seguida por eles nas escolhas e tratativas com os demais fornecedores. Percebi quando circulei pelo espaço da festa antes mesmo de os convidados serem liberados. Tudo impecável! Eram nítidos o carinho e a preocupação com cada detalhe. Certamente reflexo de muita pesquisa, ponderações e tomadas certeiras de decisões.

Depois desse contraponto, volto ao exemplo que abre a coluna. Como é possível, em 2025, alguém se casar sem ter clareza de que está fazendo a coisa certa? Ou descontente com as decisões tomadas? Destaco que não estou falando de investimento financeiro. Inclusive, é possível viver um grande momento com um orçamento bem enxuto.

Casar requer clareza e extrema dedicação. Já se foi a época em que bastava replicar o que outros noivos fizeram antes. Hoje, os casais precisam começar do zero e desenhar a cerimônia e a festa de acordo com o que acreditam e valorizam. Parece cansativo (e é), mas é esse empenho que fará com que o casal tenha um casamento inesquecível. Não existe mais a velha prática de contratar um fornecedor e esperar acontecer. É preciso personalizar por meio de direcionamentos certeiros sobre as preferências do casal. Isso exige tempo, pesquisa, reuniões, telefonemas, troca de mensagens e pulso para evitar que alguém interfira no seu sonho.

Desejo, sinceramente, que eu não volte a cruzar os caminhos com casais tristes com suas cerimônias. Que tenhamos mais casais como Emanuelle e Matheus. Esclarecidos, engajados e felizes.

João Paulo Baxega, é jornalista e celebrante de casamentos

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