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Casamentos e os protocolos impostos aos casais

Não é preciso ter um conhecimento aprofundado sobre protocolo para perceber que há uma dinâmica padrão seguida pelos noivos, pais e padrinhos durante as cerimônias de casamento. Há uma sequência a ser obedecida nas entradas, saídas e posições a serem ocupadas durante a cerimônia. Essas regras são, em sua maioria, embasadas em tradições com origens em famílias reais ou imposições religiosas.

Como professor de cerimonial e protocolo, uma das minhas outras atuações, adoro conhecer essas normas e o contexto que levou à criação de cada uma delas. Mas tem algo que me encanta na mesma proporção: noivos que não querem cumpri-las. Eles aguçam a minha curiosidade. Por natureza, gosto muito de pessoas contestadoras. Esse comportamento, geralmente, é uma característica de pessoas inteligentes que, neste caso, apenas querem entender a motivação e o significado de cada regra. E uma vez que compreendem, podem aderir ou se colocar contra caso algo não faça sentido. Acho válido e digno, afinal, trata-se do casamento delas.

Cansei de ver cerimonialistas “se descabelando” com noivos que invertem a ordem dos cortejos, que não querem seguir as tradicionais posições no altar ou que optam por abusar do bom humor durante a cerimônia. Eu acompanho “de camarote” e me divirto com o desenrolar das decisões.

Tenho sempre um lado: o dos noivos. Se eles não querem cumprir determinado protocolo, se não se sentem à vontade, a decisão já está tomada. Não se deve impor aos noivos o cumprimento de uma regra que os deixa desconfortáveis em um dia tão importante. Por vezes, percebo que os assessores ficam com os egos feridos ou preocupados que podem pensar que foi um “erro” cometido pela falta de orientação por parte deles.

Vale lembrar que vivemos um outro momento nos últimos anos com os casamentos realizados por celebrantes. O protocolo ganhou leveza. O perfil dos casais é outro. Caminhamos, cada vez mais, para a personalização. Noivos que gostam de rigor, geralmente optam por se casar em igrejas ou cartórios. Nesses ambientes, de fato, não há espaço para contestações. Apenas cumpre-se o que determina o “dono da casa”.

Fornecedores de casamento que atuam em todas as outras situações precisam ter maior flexibilidade. Os que adoram dizer que “realizam sonhos” devem parar e analisar se não estão colocando os próprios sonhos na frente dos dos casais! Tenho uma dica bem simples: se você chegou ao ponto de se irritar com a decisão do casal, possivelmente não está preparado para esse novo momento. É preciso “voltar uma casa”.

Ouvir o cliente, em qualquer negócio, sempre é o melhor caminho para que se estabeleçam relações mais harmônicas. Quando você não ouve e, pior, tenta impor seus pontos de vistas, desperdiça uma bela oportunidade de vivenciar situações diferentes e de se tornar um professional mais plural.

Caso não consiga, pare de se cobrar. Precisamos ser sinceros: há algo erro no seu negócio. Mude o nicho de atuação e até seu público-alvo. Divulgue que atua de forma clássica, que é defensor da rigidez protocolar. Seja claro! Certamente atrairá clientes que buscam exatamente um professional assim. O que não vale é atrair casais pensando apenas no dinheiro que irá receber e depois estragar os sonhos deles. Isso não é honesto!

João Paulo Baxega, é jornalista e celebrante de casamentos

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