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Amar não é caminhar no mesmo ritmo, mas na mesma direção

Em uma relação a dois, é natural imaginar que o amor significa estar sempre em sintonia, compartilhar os mesmos interesses e desejar as mesmas coisas ao mesmo tempo. Mas a vida real nos ensina que amar alguém não significa pensar igual, agir da mesma maneira ou percorrer todas as etapas no mesmo ritmo. Significa, sobretudo, compreender que duas pessoas podem ser diferentes e, ainda assim, construir juntas uma história extraordinária.

Cada um chega a um relacionamento trazendo a própria bagagem. São experiências, valores, sonhos, inseguranças e maneiras particulares de enxergar o mundo. Mesmo quando existe uma grande afinidade, não há duas pessoas que sintam, compreendam ou reajam exatamente da mesma forma diante de todas as situações. Acredito que é justamente nessa diferença que está uma das maiores oportunidades de crescimento de um casal.

Há momentos em que um estará mais disposto a arriscar, enquanto o outro precisará de segurança. Em determinadas fases, um poderá estar cheio de planos, enquanto o outro estará tentando compreender os próprios caminhos. Haverá dias em que será necessário avançar e outros em que a melhor decisão será desacelerar. O amor não elimina essas diferenças. Ele nos convida a aprender a lidar com elas.

Resolvi refletir sobre esse tema aqui na coluna após celebrar o casamento da Vivian e do Matheus. Eles se conheceram graças à odontologia. Ela terminando a graduação, ele na residência. A rotina muito próxima, graças à faculdade, com o tempo se transformou, graças à profissão. Parece ironia, não é? Ele foi para Minas Gerais enquanto ela permaneceu em São Paulo. Mas, como diz o título dessa coluna, continuaram caminhando na mesma direção. E com muito amor, paciência e metas estabelecidas, superaram. Puderam caminhar rumo ao altar de onde eu os esperava para contar essa linda história.

Caminhar juntos não significa exigir que o outro acompanhe cada passo na mesma velocidade. Significa respeitar o tempo de quem está ao nosso lado, oferecer apoio quando necessário e compreender que nem toda pausa representa falta de vontade de seguir em frente. Às vezes, é apenas uma necessidade de respirar, reorganizar os pensamentos e recuperar as forças para continuar.

Isso não quer dizer que um relacionamento deva abrir mão de objetivos compartilhados. Pelo contrário. Ter uma direção em comum é fundamental para que duas pessoas consigam construir uma vida juntas. Essa direção não precisa estar detalhada em um roteiro rígido, com cada etapa previamente definida. Ela se revela nos valores que o casal escolhe preservar, nos compromissos que assume e na maneira como decide enfrentar os desafios.

Como celebrante de casamentos, tenho a oportunidade de conhecer histórias que mostram como cada casal encontra a própria maneira de construir essa parceria. Não existe uma fórmula universal para o amor. Existem pessoas que se conhecem desde a juventude e amadurecem juntas, enquanto outras se encontram em fases mais avançadas da vida, trazendo experiências que as transformaram. Cada história tem seu tempo, desafios e descobertas.

Amar é compreender que cada um tem o ritmo, mas que a beleza da caminhada está em escolher, todos os dias, a direção que faz sentido para os dois.

João Paulo Baxega, é jornalista e celebrante de casamento

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